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O Escriturário de 2025 Vai Operar com Agentes — Ou Ser Operado Por Eles

O Escriturário de 2025 Vai Operar com Agentes — Ou Ser Operado Por Eles

Baseado em: LCA 4intelligence / OIT para Jornal do Comércio (junho/2025)

O dado que ninguém está olhando de perto

Dos 5,5 milhões de trabalhadores brasileiros no gradiente mais alto de exposição à IA generativa, 4 milhões são escriturários gerais.

Uma única ocupação — escriturário — responde por 73% do grupo de risco máximo.

Isso não é um problema distribuído. É um tsunami concentrado. E diz muito mais sobre o que a IA generativa realmente muda do que qualquer artigo genérico sobre “o futuro do trabalho”.

O que é um escriturário em 2025

A classificação da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) coloca aqui profissionais que:

  • Processam documentos e formulários
  • Alimentam e conferem planilhas
  • Emitem notas fiscais e boletos
  • Fazem digitação e entrada de dados
  • Organizam arquivos físicos e digitais
  • Dão suporte administrativo a equipes

Traduzindo: são profissionais cujo trabalho é processar informação estruturada e semiestruturada — exatamente o que a IA generativa faz de melhor.

Mas aqui mora a virada de chave.

O erro de quem lê esse dado como “vai perder o emprego”

O estudo da LCA/OIT é claro: o cenário mais provável é transformação, não extinção.

“A reestruturação de tarefas dentro das ocupações, com a IA assumindo as partes rotineiras, liberando tempo para atividades mais complexas e criativas.”

Bruno Imaizumi

Ou seja: o escriturário não vai desaparecer. As tarefas de escriturário é que vão desaparecer — e quem as executava vai precisar fazer outras coisas.

O problema é: que outras coisas?

O espectro da requalificação

Historicamente, revoluções tecnológicas criam mais empregos do que destroem. Mas a transição é brutal para quem fica no meio do caminho.

O estudo aponta que 13,9% dos trabalhadores com ensino médio ou superior incompleto estão no gradiente 4 — contra 0,8% dos menos qualificados. A IA generativa não atinge só quem tem pouca escolaridade. Ela atinge quem faz trabalho administrativo de nível médio.

É a classe média do escritório que está na linha de frente.

E a requalificação dessa turma não é simples. Não se trata de ensinar uma nova ferramenta — é redefinir a função inteira.

Onde a Engenharia de Agentes entra

A diferença entre o escriturário que será substituído e o que será amplificado é uma só: capacidade de operar agentes.

Veja os fluxos:

Escriturário sem agentes:

  • Abre o sistema → consulta → anota → formata → envia → confere → corrige → reenvia
  • 8 horas de trabalho linear, manual, repetitivo

Escriturário com agentes:

  • Define o que precisa → agente consulta → agente formata → profissional revisa → profissional decide → agente executa
  • 2 horas de trabalho + 1 hora de supervisão = 5 horas livres para análise, estratégia e decisão

O profissional que configura, supervisiona e intervém não está no mesmo barco que o que executa a tarefa bruta. Ele está no barco de cima — pilotando.

O alerta silencioso do estudo

“A exposição à IA generativa cresceu de 26,8% (2012) para 30,6% (2025) — +3,7 p.p. em 13 anos.”

Mas o crescimento mais recente é o que importa: 70% de aumento no último ano. A velocidade de adoção está acelerando. O escriturário que hoje “até agora não mudou nada” vai sentir a mudança nos próximos 18-24 meses.

Não porque a IA vai magicamente substituir tudo. Mas porque as empresas que configurarem agentes para fazer o trabalho administrativo vão cortar 60-70% do tempo gasto com essas tarefas. E quem sobrevive numa empresa que faz 6x mais com a mesma equipe?

Quem opera os agentes. Quem desenha os fluxos. Quem decide o que delegar e o que manter humano.

O Engenheiro de Agentes.

O que 4 milhões de escriturários significam pra sua carreira

Se você está em uma função administrativa hoje, a pergunta não é “será que meu emprego vai acabar?” — essa pergunta erra o alvo.

A pergunta certa é: “Eu estou aprendendo a operar o sistema que está transformando minha função?”

Nenhum escriturário será demitido por causa de IA. Mas muitos serão demitidos porque não aprenderam a operar com ela — enquanto seus colegas que aprenderam se tornaram os novos operadores do sistema.

A Engenharia de Agentes não é sobre programar modelos. É sobre desenhar o fluxo onde a IA trabalha e o humano decide. E isso, curiosamente, é o que o escriturário já faz — só que sem a ferramenta certa.


Este artigo faz parte da série Impacto IA no Trabalho, baseada no estudo LCA 4intelligence/OIT repercutido pelo Jornal do Comércio e Valor Econômico em junho/2025.

Leia o Post 1: Os 31,3 Milhões de Motivos pra Você (Não) Entrar em Pânico

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